A notícia que as creches contarão com sistema de avaliação por parte do Ministério da Educação (MEC) a partir do ano que vem foi recebida com aplausos e receios por educadores de Sorocaba. Ao contrário das outras etapas, as crianças das creches e pré-escolas não terão que fazer nenhuma prova. A avaliação será por meio de questionários aplicados a professores, dirigentes e equipe escolar. Serão avaliadas, por exemplo, questões de infraestrutura e formação dos professores. Entram no cálculo, entre outras questões, a oferta de brinquedos. 

Especializado em avaliação do ensino superior e integrante do Conselho Municipal de Educação, Rafael Ângelo Bunhi Pinto, doutor em Educação e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso), afirma que esse tipo de avaliação tem de ter papel mais qualitativo do que quantitativo. Conforme ele, não adianta a escola ter ou solicitar muitos brinquedos, mas não usar, não ter destinação pedagógica para eles. Outra preocupação é que, se os próprios funcionários das escolas responderão as questões, as verdades podem ser escondidas.

Na opinião de Rafael, esse sistema de avaliação poderia ser aos moldes do ensino superior, que consiste em três etapas, sendo uma delas o deslocamento de uma equipe técnica para avaliar in loco. “Uma crítica que faço é com relação à questão dos índices. O que se vê muito hoje são as escolas preocupadas com as classificações, as metas, sem pensar realmente na qualidade do ensino”, explica Rafael.

Vanessa Marconato Negrão, que é professora da educação infantil da rede municipal e já foi orientadora, afirma que em Sorocaba, ela e os colegas já fazem avaliação das creches e educação infantil há bastante tempo. “Mas os resultados só ficam numa base de dados, não são divulgados”, diz. Isso ocorre apenas em nível local. “Se o resultado das avaliações servir de parâmetro para melhorias, é ótimo. Que não seja só pra ficar na gaveta”, opina.

Na rede municipal, Vanessa comenta que após as avaliações, as equipes são convidadas a refletirem e buscar respostas. “Há escolas, por exemplo, que ainda não são completamente acessíveis, que precisam de reformas para receber cadeirantes, ou outras deficiências. Isso é apontado. As solicitações são atendidas de acordo com a disponibilidade do município.”

Adesão facultativa 

As avaliações não serão obrigatórias para as escolas particulares, mas aquelas que quiserem poderão aderir ao sistema. O que existe é a coleta de dados amostrais. Celia Guedes, educadora há 25 anos, desde a educação infantil até a universidade, já passou pela rede pública e atualmente é gestora de uma escola particular. Para ela, as escolas públicas fazem as avaliações por diversas razões, exceto ver efetivamente o que precisa melhorar. “As escolas públicas “preparam” os alunos para fazer essas avaliações. Mas, se é para avaliar o processo educacional, para que preparar? A avaliação externa deveria auxiliar no processo educacional e na formação de professores. E não apenas pontuar índices.”

As escolas privadas são orientadas pelos supervisores de ensino da Diretoria de Sorocaba e até o momento, Celia afirma que não houve nenhuma orientação específica. “Creio que brevemente irão se manifestar, mas independentemente das avaliações, a educação básica deve ser valorizada pela sociedade como um todo, para que de fato, haja interesses reais para a melhoria da Educação.”

Segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), a intenção é que os pais e responsáveis das crianças também possam fazer parte da avaliação. A expectativa é que isso ocorra a partir de 2021.

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